Desfaz os novelos de espuma branca que se ondulam, ritmadamente, no abrir e fechar dos teus olhos cansados.
Leva até terra, remando, o pequeno barco onde habitas e anseia pela chegada ao solo que já desvendaste.
Na praia, a areia trespassa pelo meio dos teus dedos doridos, acordando os teus pés prisioneiros da inércia.
Repara como viveste a tua vida apressado e agora o que mais desejas é viver sentado.
E por isso as tuas pernas já não sustentam o peso leve do teu corpo, e é a humilde embarcação quem te desloca.
Podias aprender a andar de novo!
01/10
domingo, 24 de Janeiro de 2010
segunda-feira, 4 de Janeiro de 2010
Não julgues antecipadamente.
Não julgues antecipadamente.
Deixa que o conteúdo do meu coração
Transborde do sangue sempre sofrido.
Deslinda o que dele sobeja
Sentido o gosto agridoce
Que me é essencial.
Entende que muito está para além
Dos contornos...
É também do recheio
Que floresce a forma.
Não julgues antecipadamente.
Deixa-me cravar as unhas afiadas
Na carne magra do teu rosto,
Deixa-me arrancar um pedaço do teu fôlego
Com a lingua áspera que me preenche a boca.
Repara que sou eu quem te adultera…
Mas estendo o meu corpo à mercê
Da tua possível revelação.
Olha-me de olhos cerrados.
Já me contemplaste,
Agora, sente-me!
Não julgues antecipadamente.
Deixa que o conteúdo do meu coração
Transborde do sangue sempre sofrido.
Deslinda o que dele sobeja
Sentido o gosto agridoce
Que me é essencial.
Entende que muito está para além
Dos contornos...
É também do recheio
Que floresce a forma.
Não julgues antecipadamente.
Deixa-me cravar as unhas afiadas
Na carne magra do teu rosto,
Deixa-me arrancar um pedaço do teu fôlego
Com a lingua áspera que me preenche a boca.
Repara que sou eu quem te adultera…
Mas estendo o meu corpo à mercê
Da tua possível revelação.
Olha-me de olhos cerrados.
Já me contemplaste,
Agora, sente-me!
Não julgues antecipadamente.
segunda-feira, 28 de Dezembro de 2009
Voltei sem me procurares
Voltei!
Voltei sem me procurares.
Voltei amparada pelo cansaço,
Consumida, sem lágrimas, pelas saudades recorrentes de ti!
Sabes que não é amor,
Não sei se é maior ou menor,
Mas simplesmente não se chama amor.
À minha memória surgiste inúmeras vezes vestido de um traje simples,
Sem adornos, digno do príncipe- homem que tanto desejo.
Mas será que te vi? Ou terei antes, idealizado?
12/09
Voltei sem me procurares.
Voltei amparada pelo cansaço,
Consumida, sem lágrimas, pelas saudades recorrentes de ti!
Sabes que não é amor,
Não sei se é maior ou menor,
Mas simplesmente não se chama amor.
À minha memória surgiste inúmeras vezes vestido de um traje simples,
Sem adornos, digno do príncipe- homem que tanto desejo.
Mas será que te vi? Ou terei antes, idealizado?
12/09
segunda-feira, 2 de Novembro de 2009
Paladar
Ao céu-da-boca encosto a língua.
Entre os dois, uma hóstia fina de açúcar
Aprimora, por momentos, o meu paladar.
Como quando nos beijámos,
Apaixonadamente,
Num passado sempre presente
Nesta sensação dulcificada.
Detenho-me no gosto da tua saliva.
Nem a água de uma nascente intocada
Se prevê tão límpida.
Estremeço...
Mas não te amo,
Amo a ideia de perfeição
Que concebi sobre ti.
Foi dela que me alimentei!
Entre os dois, uma hóstia fina de açúcar
Aprimora, por momentos, o meu paladar.
Como quando nos beijámos,
Apaixonadamente,
Num passado sempre presente
Nesta sensação dulcificada.
Detenho-me no gosto da tua saliva.
Nem a água de uma nascente intocada
Se prevê tão límpida.
Estremeço...
Mas não te amo,
Amo a ideia de perfeição
Que concebi sobre ti.
Foi dela que me alimentei!
terça-feira, 20 de Outubro de 2009
Um propósito
Defini, enfim, uma linha atribuindo um sentido há minha vida.
Ela tem na sua forma as curvas e floreados presentes na minha imaginação que não me desviam do meu propósito.
O meu propósito é viver cumprindo os meus sonhos.
A palavra que derramo com ordem nesta página desnudada, é mestre na boa-fé.
Mas não vou mentir,
É mais fácil rabiscar do que agir.
Mas concordo que escrever não é o que me põe à prova.
O que me exalta são os dias, uns após os outros, vividos.
Acordei muito depois da hora do costume!
Ergui-me enfadada e dorida como se não tivesse, nem um pouco, repousado.
Também não me lembro de ter, durante o sono desassossegado, sonhado.
Tenho o hábito de fantasiar acordada, visualizo os meus desejos com os olhos esbugalhados antecipando-me à vida antes de a ter vivenciado.
Mas eu escrevo porque tenciono chegar ao término por mim cobiçado, esse anseio de participar na vida como eu a imaginei, mesmo reconhecendo os obstáculos que se impõe durante toda a jornada.
O importante é ter um propósito que vá além da intenção, que se humanize ou conquiste formas nessa mesma direcção, nem que para isso se passeie muitas vezes em círculos que nos parecem fechados, e, de facto, não são.
Rodamos sobre nós mesmos até sermos capazes de girar sem ficarmos tontos.
Aí sim saberemos, pelo menos, em que pé nos encontramos!
Ela tem na sua forma as curvas e floreados presentes na minha imaginação que não me desviam do meu propósito.
O meu propósito é viver cumprindo os meus sonhos.
A palavra que derramo com ordem nesta página desnudada, é mestre na boa-fé.
Mas não vou mentir,
É mais fácil rabiscar do que agir.
Mas concordo que escrever não é o que me põe à prova.
O que me exalta são os dias, uns após os outros, vividos.
Acordei muito depois da hora do costume!
Ergui-me enfadada e dorida como se não tivesse, nem um pouco, repousado.
Também não me lembro de ter, durante o sono desassossegado, sonhado.
Tenho o hábito de fantasiar acordada, visualizo os meus desejos com os olhos esbugalhados antecipando-me à vida antes de a ter vivenciado.
Mas eu escrevo porque tenciono chegar ao término por mim cobiçado, esse anseio de participar na vida como eu a imaginei, mesmo reconhecendo os obstáculos que se impõe durante toda a jornada.
O importante é ter um propósito que vá além da intenção, que se humanize ou conquiste formas nessa mesma direcção, nem que para isso se passeie muitas vezes em círculos que nos parecem fechados, e, de facto, não são.
Rodamos sobre nós mesmos até sermos capazes de girar sem ficarmos tontos.
Aí sim saberemos, pelo menos, em que pé nos encontramos!
segunda-feira, 5 de Outubro de 2009
Apresentação do livro " Do rio e do mar- A desunião"

Marta Baptista e a Corpos Editora têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento do 1º livro de poesia da autora, intitulado "Do rio e do mar- A desunião".
A sessão irá decorrer no dia 10 de Outubro, pelas 17h, na Biblioteca Municipal de Ermesinde-Vila Beatriz.
Obra e autora serão apresentadas pela Dra. Paula Baptista e serão declamados poemas do livro por Bárbara Oliveira.
Biblioteca do Centro Sócio-Cultural Vila Beatriz
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Localização
Rua José Joaquim Ribeiro Teles 734 - Ermesinde
4445-485 ERMESINDE
Cumprimentos,
Marta Baptista.
domingo, 27 de Setembro de 2009
Crónica de um passeio de Domingo num jardim
Tenho uma árvore de tenra idade, mesmo à minha frente, plantada. A seus braços carrega os extensos ramos decorados de folhas de vários tons. As amareladas já cobrem o chão relvado com um tapete digno de um jardim onde o Outono já bateu à porta.
Estou sentada num banco feito de tábuas vermelhas; por cima da minha cabeça canta um pássaro afinado, como que a lembrar-me que não estou só.
Este lugar encantado, pequeno, decora a cidade de oxigénio renovado, porque a poluição que por ali passa se detém um pouco a cada dia, graças a este espaço.
Venho para aqui na busca sempre válida de alguma inspiração, pois não entendo como é que as gentes desta terra aqui não se passeiam neste solarengo Domingo.
Melhor aqui do que num carro quente, que polui a cada metro que avança mais um pedaço do nosso sobrevivente universo.
Sim, é um Domingo igual a tantos outros, um dia em que podemos desfrutar da companhia da família e amigos, mas ao invés, abafamos nos centros comerciais.
O consumismo desenfreado impele-nos a rodopiar pelas lojas, numa correria que não nos deixa descansar da semana de trabalho árduo, e as crianças, irritadas, choram e esperneiam por mais um, desnecessário, brinquedo!
Quando o dinheiro acaba,e o Sr. Empréstimo fecha os cordões à bolsa, então visitam os jardins, onde as gentes deleitam, sem gastos, as suas mágoas.
Estou sentada num banco feito de tábuas vermelhas; por cima da minha cabeça canta um pássaro afinado, como que a lembrar-me que não estou só.
Este lugar encantado, pequeno, decora a cidade de oxigénio renovado, porque a poluição que por ali passa se detém um pouco a cada dia, graças a este espaço.
Venho para aqui na busca sempre válida de alguma inspiração, pois não entendo como é que as gentes desta terra aqui não se passeiam neste solarengo Domingo.
Melhor aqui do que num carro quente, que polui a cada metro que avança mais um pedaço do nosso sobrevivente universo.
Sim, é um Domingo igual a tantos outros, um dia em que podemos desfrutar da companhia da família e amigos, mas ao invés, abafamos nos centros comerciais.
O consumismo desenfreado impele-nos a rodopiar pelas lojas, numa correria que não nos deixa descansar da semana de trabalho árduo, e as crianças, irritadas, choram e esperneiam por mais um, desnecessário, brinquedo!
Quando o dinheiro acaba,e o Sr. Empréstimo fecha os cordões à bolsa, então visitam os jardins, onde as gentes deleitam, sem gastos, as suas mágoas.
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